quarta-feira, 30 de maio de 2012


Oportunidade
          
             Uma vez ouvi uma de minhas professoras falar que quando escolhemos um tema para uma tese de mestrado ou doutorado não somos nós que o fazemos e sim, aquele que nos escolhe. Às vezes a nossa ânsia por uma descoberta, ou pela denúncia de uma realidade, não é opcional, ela se impõe sobre nosso corpo como uma sede desértica.
            Interessante pensar sobre isso, pois nem sempre fui uma pessoa que gostou de estudar. Quando estava no colégio nem sempre era presenteada com notas boas pelos meus professores, até porque não me interessava por tudo. Na faculdade esta realidade mudou, porque naquela tive a oportunidade de estudar o que gosto, ou o que escolhi para ser descoberto ( depois essa história toda de escolha virou história de amor). Não discorro sobre uma questão exata, algo matemático, pois podemos errar, mudar de curso, mudar de vida. Mas quando uma paixão por um tema ou uma profissão aparece esta se impõe sobre nós. E descobrir o mundo, sobre a ótica que for, pois nenhum é neutra, é maravilhoso.
            O conhecimento pode ser libertador. Ele muda o mundo. Não falo só de conhecimentos propriamente acadêmicos, pois o senso comum carrega verdades, assim como a literatura, o cinema, ou a simples experiência cotidiana. Não posso me esquecer das viagens, é claro. Conhecer o mundo não acaba com o mistério da vida, mas a faz certamente mais interessante.
            E aí entram as oportunidades que temos. Nem todos são sorteados com as mesmas, como bem sabemos, pois a vida não tem o sinal verde para todo mundo. Ou se tem, não propõe o mesmo meio de transporte. Pode ser injusta, infiel e surpreendente. Apesar de isso depender muitas vezes de nós e não do destino. Apesar disso, acredito que aqueles que têm oportunidades, fato que também é de avaliação pessoal, devem aproveitá-las. Elas são lupas para o mundo, uma vez que permitem que este seja visto sobre diferentes óticas.
            Quando era criança possuía um livro sobre um menino que tinha uma lupa. E com esta, observava pela janela de sua casa o prédio da frente e os vizinhos com suas diversas imprevisibilidades do cotidiano. Imaginava, e aprendia com estas pessoas (apesar de que esta interpretação pode ser especulação minha). Assim como ele, tenho sempre minha lupa por perto, e acho que esta cresce impulsionada pelo conhecimento. Não deixo também passar as oportunidades de ampliá-la e acredito que nos últimos anos estas têm sido infinitas. Morar fora, fazer trabalho voluntário em outro país, trabalhar em mais diversos ambientes.  Uma pessoa pode ver uma maçã em um supermercado ou um símbolo para reflexões sobre toda a vida (licença a um amigo que escreveu sobre este tema), depende se opta por observá-la através de uma ótica rígida ou por usar sua lupa. A questão é sair de casa com ela, sempre com  o cuidado de não deixa-la embaçar.
            Este ano desde que voltei de uma temporada na Europa tive oportunidades interessantes de estender meu olhar sobre o mundo. O estágio na APAC, o emprego em uma escola de inglês (conheci o outro lado, professores, entendi que é difícil também ser vocês) e agora terei a oportunidade de escrever um livro sobre a história de vida de uma comunidade que corre o risco de ser desapropriada pela especulação imobiliária.
            Hoje ao montar o projeto para esta atividade já fantasiei histórias, diversas pessoas, amplos espaços, tudo. Sei bem que tudo será diferente e que no fundo quem mais ganhará com essa experiência será eu mesma. Ações altruístas são assim, nunca altruístas demais, certo? Mas acho que essa é uma outra discussão.
            Para finalizar e retomar o primeiro parágrafo, gostaria de dizer que o tema deste texto me escolheu. Despejei estas palavras aqui pensando em oportunidades da vida, mas elas me saltaram da mente. Não foram estruturadas e muito menos planejadas, mas simplesmente sentidas e impostas pelas minhas mãos que são a boca dos meus pensamentos. O mais importante nesta vida é mudar, metamorfosear todos os dias com as oportunidades que nos surpreendem ( e com as que não surpreendem também), e acho que para mim a melhor forma de viver isso é através de palavras. Lindas palavras que não me saem da mente, que tiram meu sono, mas que fazem de mim quem sou. Os interessados em mudanças me façam um favor e saiam de lupa todos os dias de casa. Estas são um passo para a liberdade.

3 comentários:

  1. *.* Quando eu era pequena, tinha uma professora minha que dizia que a oportunidade era uma deusa, quase careca... só tinha um tufinho de cabelo bem no meio da cabeça... Dizia também, que ela sempre passava em nossas vidas e cabia a nós ficarmos sempre atentos para na próxima vez, conseguimos pegá-la por esse tufinho. Só assim não assistiríamos ela escapando entre os nossos dedos. Não sei bem porque resolvi contar essa história aqui, mas acho que toda essa idéia da lupa me faz chegar mais perto dela, sabe? E tomara que a próxima vez que a oportunidade chegar... tenhamos liberdade... cada vez mais liberdade!
    Parabéns e obrigada por cada um desses textos lindos, Pequena... Obrigada pela falta de fôlego e pela falta de palavras...
    Beijo!

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    1. Seus olhos também têm uma leitura especial...acho que eles têm crédito também e fazem jus a pessoa incrível que você é...obrigada pelo comentário! =)

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