Domingo
Hoje no carro, enquanto me
encaminhava para almoçar com amigos e família, pensei em escrever sobre as
montanhas. Deborah e as montanhas, um caso de amor. Realmente estas me seduzem
todos os dias e me lembro de quando morei fora do país senti falta das mesmas
diariamente. Tinha saudades de abrir a janela e ver a serra, grandiosa que só
ela. Respirar e tomar coragem de começar
o dia através desse momento de olhá-la aliviava-me, limpava-me o corpo e a
mente das preocupações da vida.
Depois disso, durante o almoço,
conversamos muito sobre a Europa e o charme daquele continente. Como o simples
fato de tomar café, mas em Paris, já é por si só charmoso. Mas tem que ser
feito com esse pano de fundo encantador, palco de muita história e arte. Quem
já viu a torre Eiffel piscar, ou já comeu uma massa em uma osteria italiana, ou
viu um pôr do sol em Barcelona sabe do que estou falando. Quem não viu não se
sinta excluído, por favor, imaginem, sempre.
Depois dessa conversa e de um
almoço maravilhoso fui ver o pôr do sol do alto das montanhas. Minhas musas
motivadoras dessas palavras retornaram ao meu mar de ideias. Aquele entardecer
tirava meu fôlego, e as montanhas esnobavam sua exuberância. São poucos que têm
o privilégio de ver um pássaro de cima e hoje fui um deles. Ainda mais poucos ainda
são aqueles que sabem admirar tal possibilidade, simples, mas de uma completude
indescritível. A natureza é pura e
imponente ao mesmo tempo e ela de fato me completa. O entardecer estava avermelhado,
as montanhas verdes com capins rosa e do outro lado, como se não bastasse, a lua
cheia nos acompanhava. Dona Lua deveria evitar o regime, pois arrasa nesses
dias. Apesar de toda falação minha e das minhas companhias naquele momento,
aquele visual não precisava de palavras, a imagem falava por si. Sentar e
observar aquela vista encheu a minha alma de coisas boas. Tranquilizou-me,
acalmou-me e me entreteve.
Sinto por vezes falta do mar, mas
sempre o associei com férias. Descobri ao morar em outra cidade que sou filha
das montanhas, que é delas que sinto falta e que são elas que procuro com olhar
todos os dias, mesmo que não perceba. Elas viraram a melhor rotina das minhas
manhãs. Acho que por mais que o dia vá ser difícil, ou o mau-humor tenha tomado
conta de mim (normalmente quando acordo cedo), a espiada que dura segundos na
serra me lembra que existem coisas que são sempre boas (isso se não resolverem
remover minério dela), e isso me ajuda a lembrar de quem eu sou, que o dia vai
começar e que viver vale a pena. O ar fresco me alimenta com motivação para
recomeçar a luta que é viver. Todos sabem que não é fácil se carregar dentro de
si todos os dias. Pesa, e muito.
Não sei onde estabelecerei minhas
raízes e nem sei se elas crescem de dentro de mim, mas acho que vou sempre
procurar as montanhas ao acordar. Esse caso de amor se estende para cidade onde
moro. Já briguei com esta cidade, já me incomodei com a mentalidade
conservadora do mineiro, já cansei de sair e ver as mesmas pessoas. Mas ao
ficar longe, voltei e fiz as pazes com o que havia deixado para trás. Encantei-me
de novo com a Praça do Papa, com o pôr do sol no Papinha, com a Praça da
Estação e com a intimidade que essa cidade me passa.
Aqui é palco de arte, de cultura
e de muita comida boa. Aqui eu tenho amigos, tenho família e tenho lembranças
preciosas. Elas criaram pernas (pequenas) no formato de Deborah. Ando por aí para
esnobá-las, pois são em sua maioria boas. Mas é um esnobe politicamente
correto, pois é feito através de sorrisos. Aprendi que ser mineiro é colocar um
conhecido, ou amigo, dentro de casa. Acolhe-lo, e ainda dar de comer (comidas
gostosas). E eu sou assim, aliás, acho que sou assim. Nós mineiros, somos
pessoas próximas, gostamos de conviver de perto com as pessoas.
Passear na Savassi, sentar na
Travessa, beber cerveja com os amigos nos milhares de botecos que a cidade
comporta, ir a um show no Parque Municipal, andar pela Praça da Liberdade e ver
as luzes de Natal, ir ao cinema do Belas Artes, comer pizza em Santa Teresa na
Parada do Cardoso, dançar samba no Cartola, observar a Serra que abraça a
cidade. Parecem simples essas palavras, esses momentos, mas eles dão valor à
cidade. Eles agregam e me unem com ela. Acordar todos os dias e ver as
montanhas, marca da minha cidade, é um conforto, uma alegria. O horizonte é
belo. Não é um belo horizonte somente.
Não sei se fico, se vou, se
volto, mas sei que amo esta cidade, estas montanhas e estes amigos que fiz
aqui. A Europa é charmosa, a África fascinante, a Ásia não conheço desculpem-me,
mas as minhas montanhas são demais. Viver a vida ao lado delas é um prazer e uma
emoção. Que sorte que te tenho ou que te
tive, ou que terei, Serra do Curral. Pensando melhor, talvez por nunca
possuí-la, palavra pesada, sou louca por você. Agora chega, falei demais, vou
voltar para a janela para ver a vista. Um bom domingo a todos.
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