quarta-feira, 23 de maio de 2012



Claudia e Luiz na Provence
Hoje acordei com uma vontade incontrolável de viajar. Ao lado de minha cama, encontra-se um mapa mundi que só serve de estímulo para este meu vício compulsório. Vontade de conhecer o mundo, de viver coisas novas e de abrir mais a minha forma de pensar. Infelizmente, minhas obrigações não me permitirão viajar hoje, mas viajarei então de outra forma, usarei a minha memória como ponto de partida.
Viajei de trem. Sai de Paris da casa de minha prima de mochila nas costas sem saber bem como seria essa viagem. Um casal de amigos dos meus pais havia alugado uma casa no sul da França, mais especificamente em Lourmarin, e estava morando lá por uns tempos. Movida pelo meu desejo insaciável de conhecer lugares novos, resolvi que a vez da região da Provence tinha chegado.
Claudia e Luiz me buscaram na estação de trem e chegando a Lourmarin prepararam um almoço maravilhoso na varanda da casa onde estavam. Uma coisa que é certa na França é que se come bem. Muito bem. Isso ficou ainda mais fácil, pois este casal que já era querido e acabou ficando ainda mais, cozinha muito bem. E não economizaram nos mimos. A casa onde moraram era deliciosa, com uma vista linda. Hospedei-me em um quarto que tinha vista para a piscina da casa, muito agradável e com uma grande janela.
A cidade de Lourmarin é realmente muito charmosa e é palco de feiras muito interessantes que vendem um pouco de tudo: livros, artesanatos, bijuterias e também comidas gostosas. Outro ponto muito relevante da cidade é a padaria, que garantia um dos melhores pães que já comi, e que foi base da minha alimentação  todos os dias em que estive por lá. Abria cedinho e era a típica padaria de cidade pequena, realmente encantadora. E o cheiro, ah o cheiro, este me enfeitiçava.
Corri todas as manhãs na estrada próxima à casa do casal, sempre observando a paisagem que era caracterizada por vinícolas, plantações de abóboras dentre outras plantas. Parecia que eu estava dentro de um filme, a paisagem era realmente muito diferente, e guardava todo aquele charme francês e também que a vida regada e decorada pelo vinho carrega.
A companhia de Claúdia e Luiz foi ponto forte da viagem. Desenvolvemos verdadeiras conversas filosóficas sobre a vida, sobre livros, sobre nossas famílias e o motivo que nos uniu naquela ocasião, meus pais.  Conversar é mesmo uma atividade fundamental, faz-se amigos, lembra-se da vida, reflete-se sobre tudo. Ai como é gostoso relembrar desses momentos. Além disso, são as palavras que às vezes representam mudanças definitivas nas nossas vidas, ou carregam notícias boas, ruins, tudo. Carregam a vida de certa forma.  Pode-se construir um momento com elas, ou um pensamento através delas e é por isso que os livros são pedacinhos de mundo encadernados. Tão importantes são as palavras.
Retomando à França, a leitura também fez parte daquele momento. Li muito, pensei muito e descansei muito. E bebi muito vinho bom, pois uma boa conversa filosófica combina com vinho. E se o vinho for francês, não tem erro. Pensando bem acho que poucos momentos não combinam com vinho. Ele é versátil e combina com o outono, inverno, primavera e verão. Pode estar travestido de tinto, branco ou rose.  Acompanha as mais deliciosas comidas, os brindes, os fins de tarde, o frio e o calor. Pode ser para um momento romântico, mas também para um momento festivo. Ou simplesmente para uma tarde com um bom livro. Ele fala por si só, não exige nem companhia. Que coisa gostosa que é uma taça de vinho.
Desculpem-me a digressão alcoólica, retomando devo dizer também que além dos momentos que vivi com Claudia e Luiz, que incluíram visitas a feiras que expunham comidas que só acreditava que existiam na minha imaginação gulosa, comer sorvete, falar sobre a vida, fazer picnics, ver um dos pôr-dos-sois mais bonitos da minha vida, correr da chuva e fazer amigos vivi momentos sozinha também.
O casal me emprestou seu carro para que viajasse desacompanhada, quer dizer, acompanhada de Jane, querida GPS que não me deixava perder o caminho. Se não talvez eu estivesse até hoje viajando por aí, sem rumo. Nada melhor. Visitei várias cidades pequeninas da Provence, lindas de morrer, espaços realmente especiais deste planeta terra. Andei de barco nos Les Calanques (e por isso vi uma das cores de mar mais bonitas)*, tomei os melhores sorvetes, visitei o Palácio dos Papas em Avignon, conheci ruínas romanas em Arlet, comi magrê de pato com polenta frita e li muito. Navegar pelas fotos desses momentos me faz ir longe e demorar a voltar.
Gosto de relembrar de uma tarde em que visitamos um lago cheio de flamingos. Fiquei tão maravilhada com a presença destes que entrei primeiro de tênis ( e tive que mudar de tática depois de atolar na lama), depois descalça atrás dos mesmos. Não consegui impedir meu impulso, pois estava encantada com a cor e beleza daquelas aves, mas aquele representou pura ingenuidade, pois os bichanos logo começaram a migrar para outro lado. Uma estranha, toda suja de lama, com cara de boba e máquina na mão ( ai estereótipo de turista!) correndo, quem não migraria?
Esta viagem foi mesmo maravilhosa. Coloquei-a na parte da minha memória reservada aos melhores momentos e que gosto de visitar de tempos em tempos. Quanto ao casal, não sei bem como agradecê-los, só queria dizer que essa viagem foi realmente fenomenal. Os lugares visitados foram maravilhosos, a comida e o vinho deliciosos e a companhia ilustre. Este casal fez por si de fato algo maravilhoso, uma oportunidade de se conhecer e de viver a vida plenamente em um cenário maravilhoso. Sou profundamente grata e gostaria de dizer que só penso em coisas boas quando me lembro de Lourmarin. Vocês são pessoas muito especiais e me receberam muito bem. Muito Obrigada.
* “Les Calanques, está localizado na periferia de Marseille, na Cote d´Azur Francesa. Abrangendo toda a costa, por 20 km até a próxima cidade, Cassis, é uma das mais famosas belezas naturais da França. O maciço de calcário branco contrasta com as águas azuis e cristalinas na linha costeira do Mar Mediterrâneo, com profundas baías e gargantas formando pequenas praias paradisíacas e promontórios verdes que oferecem não só beleza natural, bons mergulhos, mas também é um local de prática de escalada esportiva e tradicional. Assim como os Alpes, Les Calanques foi também o berço do montanhismo e escalada franceses.]” -http://www.brasilvertical.com.br/index.php?option=com_content&view=article&catid=66%3Ahome&id=227%3Ales-calanques-escalando-na-cote-daazur-francesa&Itemid=60










Nenhum comentário:

Postar um comentário