sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

2013




Diminuir no sal e na gordura, fazer do esporte um hábito, voltar a escrever, jamais parar de ler, fazer uma viagem especial com meu amor, diminuir as despesas em casa, terminar de escrever meu livro, começara pós-graduação, comprometer-me mais com a ONG Cisv, arrumar maneiras de demonstrar para as pessoas queridas o que elas representam para mim, comprar um presente bacana quando for madrinha, ser ótima madrinha, irmã, filha, amiga, namorada (não necessariamente nessa ordem), tentar sempre ser melhor do que fui no passado, curtir cada dia (mesmo os chatos).

Recesso de final de ano,  fui a praia me despedir do ano que ia e dar as boas vindas ao ano que chegava. A Bahia tem um efeito muito positivo sobre as minhas energias e sobre as minhas ideias. Lá consigo processar que é hora de me preparar para um ano novo e reativar o meu
gás para tentar dar o melhor de mim em tudo que está por vir. Não poderia esquecer, é claro, de listar tudo que desejo realizar em 2013, mesmo que em utopia. Mas se não começamos o ano desejando o que sonhamos, estaremos mais longe do atingirmos nossos sonhos. Foi isso que fiz um dia pela manhã, ainda deitada na cama, enrolando para levantar.

A viagem foi maravilhosa, pude reunir amor, amigos, irmão e prima em uma só casa. Tomar cerveja, caipis, comer acarajé, peixe recheado com camarão, bobó , camarão na moranga, isca de peixe e lagosta ao catupiry foram um dos sabores dessa viagem. O melhor de tudo, foi a possibilidade de relaxar, falar bobagens, molhar o corpo no mar, olhar para o céu e pensar na vida. Lembrar que, apesar de ser uma pessoa que teve e ainda tem muitas oportunidades, que teve a possibilidade de gozar do que a vida tem de bom, existem pessoas que não tiveram o mesmo privilégio. Às vezes meu pensamento me leva longe, leva-me a questionar o quanto o mundo é injusto e desigual. Vejo crianças trabalhando no sol o dia todo, pessoas se submetendo a muitos tipos de trabalho por uma salário miserável. Não existe nada de errado em trabalhar, seja como for, erradas são as condições em que, por vezes, temos que nos submeter em troca do nosso sustento. E pensar nisso me entristece, é como se o meu lazer fosse banhado por um quê de realidade que me faz sentir culpa.

Consolo-me com o fato de que, com pequenas ações e com meu trabalho, tento mudar o mundo, mas às vezes fico descrente quando paro para observar a realidade. Ainda existe muito a ser feito, começando por 2013. Depois de tantas reflexões, busquei o mar como uma forma de renovar a alma e relembrar que posso ser feliz  e ao mesmo tempo sensível ao que acontece ao meu redor. Basta que eu devolva para o mundo o que recebi, com ações que considero corretas e justas.

Desci no rio que vai de encontro ao mar boiando, nada mal. De mãos dadas com meu bem, rimos até dos constantes tombos que levava ao tentar levantar. Dar gargalhadas, contar piadas, dormir e ler, vida boa essa da praia! Fazer planos, quem sabe reais, quem sabe só sonhos, de morar na praia com meu bem, comprar uma pousada, viver a vida de chinelo e vestido, rindo do tempo. Será que a vida na praia é assim, ou eu é que gosto de pensar que pode ser assim?  O bom de viajar é permitir que a nossa mente realize planos nunca concebidos. Não cabem nos meus dedos quantas viagens improváveis (e prováveis também) planejo ao viajar, mas não é essa a graça toda de dar um tempo para si mesmo? Mesmo se tudo for diferente, vale a pena sonhar...

Ver um céu estrelado chegando de barco em Caraíva e abraçar com força alguém querido na virada do ano. Que data feliz. Fui vestida de saída de praia branca com estampa de corujinhas: paz e sabedoria para mim neste ano, não importa o que acontecer. Ver os fogos de mãos dadas com meu amor, e reencontrar, dentro de mim, toda a energia e alegria de viver que me mantém em pé. Lembrar que ser jovem é poder dormir na praia, no banco, na sombra e no sol e ainda acordar e curtir uma praia, feliz da vida.

Rir por horas de uma palavra boba e sem importância. Lembrar-me de alguns defeitos e várias qualidades das amizades e familiares que só se conhece viajando e, mais ainda, relembrar os meus defeitos. E rir deles. Viajar por mim mesma, pelas nuvens e pelas tantas estradas (longas) que me conduziram de Minas até a Bahia. Viajar de carro para ficar pertinho, conversar, escutar aquelas músicas gostosas e antigas, ver a vista das montanhas - em especial a pedra que tem uma rachadura em formato de boca no meio dela, fica perto de Teófilo Otoni, é linda
(sempre imaginei que ela fosse me engolir quando era criança, morria de medo)-, fazer o jogo dos caminhões e ganhar de lavada. Na ida e na volta.

E finalmente chegar, retornar ao começo de onde saímos estressados e branquelos para voltarmos morenos, tranquilos e sorridentes. Logo vi os primeiros resquícios da cidade onde moro, foram um pouco agressivos aos meus olhos. A fumaça, os carros buzinando e o monstro da contemporaneidade, o trânsito. Dele eu afirmo e reafirmo que jamais sentirei falta, que aborrecedor. Respirei fundo e encontrei as energias renovadas para recomeçar o ano, recomeçar os planos, mesmo que tudo mude depois, que tudo dê errado, ou que dê certo. Amanhã é um novo dia, que venham mais tristezas e alegrias.

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