Tudo Sempre igual
Hoje, depois de rever o Poderoso Chefão na ótima companhia de meu pai, voltei ao meu quarto para desarrumar a minha cama para dormir. Sempre fecho a janela primeiro e, ao fazê-lo, lembrei-me de um hábito que havia esquecido que estava habituada. Todas as noites, antes de dormir, no meu mágico ritual de fechar a janela do quarto, sempre paro um instante para cheirar a noite. Tudo envolve a observação dessa dama de vestido preto, que compõe a trivial vista da meu quarto, como brincos brilhantes como a lua. Tudo sempre igual, agora, com a trivialidade perturbada por um novo prédio, que me roubou o pôr do sol.
Subitamente, sou sempre surpreendida com o cheiro da noite, leve, mas denso e sempre delicioso. Trazido por uma bossa suave, que beija o meu rosto lentamente, e mexe os meus cabelos como um leve carinho que me faz cócegas. É como o cheiro de um bolo doce, que lembra carinhosamente uma avó. Da mesma forma, o odor da noite me lembra o passado, ou aquilo tudo que poderia ter sido.
Lembra-me de conversas calmas ao luar, olhares sonhadores, ou novas possibilidades de diversão e memórias, o que sempre procurei nas noites frias ou quentes. A frase de Oscar Wilde nunca fez tanto sentido, “ Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas”. Talvez seja isso mesmo. Eu gosto de olhar. E olho sempre.
Ao deitar e seguir o meu ritual de leituras antes do sono, acho que estou ficando velha (sem envelhecer), pensei no que realmente o que importa na vida. Larguei a Piauí e uma interessante reportagem sobre Cuba, que me pareceu decadente aos olhos do escritor, e sobre Padura, autor do Homem que Amava os Cachorros, livro que já aguarda para ser lido por mim. Este homem é um dos únicos escritores que ainda ousa criticar a Cuba que tanto ama, e permanecer nela. Além desta revista, coloquei de lado também o livro que conta a história de Tristão e Isolda, lenda medieval de autor desconhecido.
Minha conclusão sobre esta singela e, quem sabe boba, reflexão antes de dormir: penso que o que importa na vida são somente, e tão somente, as relações bem vividas, as viagens, os sorrisos, as noites e os livros. Claro, os livros, meu caso de amor. Termino com a frase Jules Renard que traduz o sentimento que levei para o mundo dos sonhos comigo neste dia, ou melhor, nesta noite: “ Quando penso em todos os livros que ainda posso ler, tenho a certeza de ser feliz.”
Você está escrevendo cada dia melhor ;)
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