segunda-feira, 23 de abril de 2012


                                 
FALEI DE TUDO E NÃO FALEI DE NADA

Hoje eu pretendia escrever sobre Paris, queria fazer uma homenagem a esta linda cidade por onde viajei, mas a verdade é que estou triste demais para isso. Quando estou assim fico com a sensibilidade aflorada. Acabei de ler em um livro uma coisa linda. Falava do mar como um elo que unia corações em momentos de separação.
Achei bonito, pois o mar é de fato um elo. Um elo lindo, só para constatar. Agora penso nos amigos que fiz quando morei fora e penso no mar como nosso elo. Mesmo que o país que alguns moram não encontre o mar, um oceano separa nosso contato. Ou liga. É tudo uma questão de interpretação. Pensar no mar como um encontro e não como uma distância consola as minhas saudades.
Toda essa conversa me fez lembrar de uma exposição de fotografias de pontes que fui em Avignon no sul da França. A exposição se situava também em uma ponte chamada Ponte Saint Benezet* e englobava fotos de pontes do mundo todo (vide as fotos abaixo). As pontes eram todas muito lindas, já havia até visitado algumas (é sempre bom se identificar no novo), era tudo muito interessante.
Junto com as fotos expunha-se também a ideia da ponte não só como uma ligação entre dois pedaços de terra, mas também como um local que permite o encontro de pessoas. Fiquei sensibilizada com essa imagem da ponte. Assim como o mar, também liga corações, também é um elo para os saudosos amigos, familiares, românticos e por aí vai. Quem já sentiu saudades sabe como o reencontro é bom. Ele guarda uma energia exclusiva que consola a desolação da separação.
Perambular pelo mundo implica em deixar para trás os lugares visitados, as pessoas conhecidas, as experiências vividas. Mas na verdade é isso mais ou menos porque depois de ir embora a gente carrega tudo a que me referi antes junto com a gente. A sociedade se escraviza por dinheiro, mas aquele é um bem muito mais valioso do que este. As memórias, as lembranças e os pensamentos não existem concretamente, mas sua experiência é real, forte e imponente. O que não existe de verdade influência mais a gente do que o que existe concretamente. A religião, o poder e o status não me deixam mentir.
Escritos confusos esses, falei um pouco de tudo e no final não falei de nada. Aliviei o coração, lembrei-me do passado e apesar de não falar de Paris, falei da França.  Hoje era só isso que tinha para dizer e mais nada.

*Esta ponte fica sobre o rio Rhône, sua fama vem da menção feita a ela em uma canção infantil francesa que se chama Sur le pont d’Avignon. Dos seus originais 22 arcos restaram-se 4, os outros foram destruídos por enchentes do rio que a atravessa. Quem se interessar mais pela história da ponte e pela cidade de Avignon (que é linda) onde fica o Palácio do Papa, deve entrar no site da cidade: http://www.palais-des-papes.com/anglais/index.html. A história da ponte fica no final da página à esquerda

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